10 de julho de 2018 às 02:00

Blogueiras com mais de 60 anos atraem milhares de seguidores

Em uma foto que a mostra com a anca empinada, para mostrar seu vestido avental Margiela e seus jeans elegantemente puídos, Lyn Slater projeta um estilo muito raro entre os pares. Professora na escola de pós-graduação em serviço social da Universidade Ford

Em uma foto que a mostra com a anca empinada, para mostrar seu vestido avental Margiela e seus jeans elegantemente puídos, Lyn Slater projeta um estilo muito raro entre os pares. Professora na escola de pós-graduação em serviço social da Universidade Fordham, e com uma carreira paralela como modelo e blogueira de moda, Slater é um ídolo para muita gente.

Ela tem 64 anos, e, como se sabe, algumas mulheres de sua idade se sentem pressionadas a renunciar a esse lado de suas vidas. Mas para Slater, não é isso que vai acontecer.

Em Accidental Icon (ícone inesperado, em tradução livre), sua influente conta de Instagram com 530 mil seguidores, ela posa com combinações inesperadas de grifes, misturando Comme des Garçons, Yohji Yamamoto e produtos encontrados em lojas de ponta de estoque. Seus seguidores tendem a ser jovens, diz a blogueira, e reagem bem a sua postura insolente.

"Eu me exponho. Não tenho 20 anos. Não quero ter 20 anos, mas sou ótima. É isso que penso quando posto uma foto", afirma Slater.

Ela é parte de um coro de contemporâneas e de mulheres de 70 e 80 anos que pensam como ela e ousam como ela, e encaram a questão do envelhecimento com uma audácia â?”e estilo fascinanteâ?” que suas mães invejariam.

Casadas ou solteiras, empregadas ou não, e a maioria das quais avós, elas defendem a presença na rede social de fotos e vídeos Instagram, determinadas a subverter as noções antiquadas do que significa ser â?”ou parecerâ?” "velho". E, nas palavras de algumas das integrantes do grupo, estão "detonando".

As mulheres que Ari Seth Cohen acompanha em seu blog de moda de rua Advanced Style refletem e contribuem para uma mudança gradual nas percepções comuns sobre o que significa envelhecer.

"A ideia de aparência que as mulheres mais velhas têm mudou", disse Cohen. "Se elas se preocupavam com estilo quando eram mais moças, podem continuar a fazê-lo agora. Continuam a ser quem um dia foram".

A observação é ecoada pela pesquisa "Elastic Generation", da agência de publicidade J. Walter Thompson em 2018, com mulheres de idade entre 55 e 72 anos, na Inglaterra.

"A idade já não dita a maneira pela qual vivemos. A capacidade física, as circunstâncias financeiras e a mentalidade podem ter influência muito maior", escreveu Marie Stafford, diretora do JWT Innovation Group para a Europa, em sua introdução sobre a pesquisa.

Uma mulher na casa dos 50 anos, portanto, "pode ser uma avó mas também pode ter acabado de ser mãe", o estudo afirma. "Ela pode ser uma empreendedora, uma motociclista selvagem ou uma maratonista múltipla. Seu estilo de vida não é governado por sua idade, mas por seus valores e pelas coisas que a interessam".

Algumas dessas mulheres, e suas contrapartes no exterior, continuam a aderir aos valores da contracultura e à postura anticonvencional que elas adotaram nas décadas de 1960 e 1970.

"Não queremos ser velhinhas que ficam sentadas na casa de repouso, com cabelos pintados de azul", disse Jenny Kee, @Jennykeeoz, uma artista australiana de 71 anos que também é estilista de roupas em tricô. "Ou, se estivermos na casa de repouso, levaremos nossa maconha, nossa comida saudável e nosso excelente senso de estilo para lá".

Slater ecoa esse sentimento. "Quando eu era moça, queimávamos nossos sutiãs e defendíamos o amor livre", ela disse. "Usávamos drogas. Por que aceitaríamos a imagem que nossas mães tinham quanto ao que é envelhecer?"

Em seus guarda-roupas, a expressão pessoal sem barreiras é a norma. Dorrie Jacobson, 83, ex-modelo da revista Playboy, despertou interesse no ano passado ao começar a postar fotos que a mostram de lingerie de renda preta em sua conta Senior Style Bible, no Instagram. Na entrevista como em sua conta, ela insta as seguidoras a deixar para trás as ideias antiquadas de como uma mulher de sua idade deveria se vestir. "Use o que bem entender", ela disse. "Não existe roupa certa para uma determinada idade".

Esse modo combativo provavelmente deve alguma coisa a algumas pioneiras da expressão online, mulheres que se definem como "Insta-grans" [avós de Instagram], e que transformaram a franqueza desbocada em virtude. As pioneiras dessa atitude (e do faturamento que ela pode propiciar) são sensações pop, a exemplo de Baddie Winkle (Helen Ruth Elam Van Winkle, 89), cujos posts costumam virar as convenções de cabeça para baixo.

Posando em roupas ultracoloridas, trajes de banho sumários e, em um caso, com uma camiseta cor de rosa com os dizeres "seja vagaba e faça o que quiser", ela tem 3,6 milhões de seguidores e é paga para divulgar marcas e já fez participações especiais em evento das lojas de grife.

Tradução de Paulo Migliacci

Fonte: FOLHA

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