28 de janeiro de 2018 às 02:00

Em um ano, matrículas em cursos de pós a distância caem pela metade

As matrículas em cursos de pós-graduação a distância caíram pela metade segundo a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), que faz anualmente um censo da modalidade no país.

As matrículas em cursos de pós-graduação a distância caíram pela metade segundo a Abed (Associação Brasileira de Educação a Distância), que faz anualmente um censo da modalidade no país.

Os dados mais recentes são de 2016, quando houve 60.927 matriculados nesses cursos, contra 127.679 em 2015. Stavros Xanthopoylos, diretor da Abed, atribui a queda à atual crise econômica.

Vera Lúcia Freitas, 47, foi uma que desistiu do curso por motivos econômicos. Formada em pedagogia, com pós-graduação em sociopsicologia, ela pretendia fazer uma outra pós em psicologia, dessa vez a distância.

"É melhor para quem vive nas grandes cidades, por causa do tempo de deslocamento, e você pode fazer o seu próprio cronograma", diz.

Em 2014, Vera Lúcia foi demitida do colégio onde trabalhava. Sem conseguir emprego na área, começou a trabalhar como gerente de restaurante até setembro do ano passado, quando novamente se viu desempregada.

A pós-graduação ficou em segundo plano. "Com essa idade, o mercado de trabalho já não absorve a gente facilmente. Será que se eu investir em um novo curso vou conseguir um emprego na área depois?", questiona.

Além da crise, a falta de consistência no processo educacional como um todo e a ausência de financiamentos governamentais para programas de pós-graduação também contribuíram para a queda nas matrículas, de acordo com Xanthopoylos.

ON-LINE x PRESENCIAL

Não há dados oficiais sobre os cursos presenciais de pós-graduação lato sensu no país, mas números de matrículas na graduação sugerem uma situação ainda pior para os programas presenciais. "O ensino a distância se segurou melhor do que o presencial", diz Xanthopoylos.

Na graduação, o número de matrículas em cursos a distância cresceu 6,5% de 2015 para 2016, ligeiramente maior do crescimento de 5,8% na modalidade presencial, segundo dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão ligado ao MEC.

A FGV (Fundação Getúlio Vargas) é uma das que têm mantido bons resultados nos programas de pós-graduação a distância. Gerson Lachtermacher, diretor da instituição, diz que o número de matrículas na pós-graduação on-line na FGV cresceu quase 60% de 2015 para 2016 e 33% de 2016 para 2017.

"A qualidade ajudou a FGV a se destacar no mercado", diz Lachtermacher. A instituição já oferece quatro MBAs on-line e está criando mais dois, além de 150 cursos de curta ou média duração.

O que também continua atraindo alunos para os cursos a distância é a flexibilidade de horários.

É o caso de Annemarie Heltai, 49. Mestre em comunicação social, ela já fez cursos a distância de atualização gramatical e de educação e agora está concluindo uma segunda graduação, dessa vez em Letras na Unip.

"Aos 49 anos e com os compromissos que tenho, não conseguiria estar em uma sala de aula por quatro horas, sempre no mesmo horário", conta Heltai.

Fonte: FOLHA

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