13 de junho de 2018 às 02:00

Geração argentina com três finais perdidas busca fim de tabu na Rússia

Em um dos comerciais de TV pré-Copa mais populares na Argentina, o ex-zagueiro campeão do mundo e hoje comentarista Oscar Ruggeri entra em um estádio lotado para pedir a aliança entre torcedores e a seleção.

Em um dos comerciais de TV pré-Copa mais populares na Argentina, o ex-zagueiro campeão do mundo e hoje comentarista Oscar Ruggeri entra em um estádio lotado para pedir a aliança entre torcedores e a seleção.

Um deles grita que perdeu quatro dias de trabalho para ir ao Rio ver a decisão contra a Alemanha em 2014. "Fez isso porque chegamos à final", responde Ruggeri, na propaganda da cerveja Quilmes.

A principal discussão sobre a seleção é se ter chegado a três finais nos últimos quatro anos e perdido todas significa ou não um fracasso. São 25 anos sem conquistas para a equipe, que não vence um torneio relevante desde a Copa América de 1993. O último título mundial foi em 1986.

A Argentina se trancou em Bronnitsi (a 55 km de Moscou) desde o último sábado (9).

Nenhum jogador deu entrevista, o que dificulta saber o que pensam sobre o assunto. Mas é difícil imaginar que a sequência de derrotas decisivas não seja assunto. Principalmente para Messi, Aguero, Higuaín, Biglia, Mascherano e Rojo. Os seis estavam em campo quando a seleção perdeu o Mundial do Brasil e depois caiu diante do Chile duas vezes, nas Copas Américas de 2015 (Chile) e 2016 (EUA).

Messi e Mascherano também foram derrotados pelo Brasil na final do torneio continental de 2007, na Venezuela. "As pessoas e a imprensa não valorizam por termos chegado a três finais. Das três, merecíamos ganhar duas, no mínimo", constatou Messi.

Uma delas é a de 2014. O consenso na Argentina é que a seleção jogou melhor do que a Alemanha no Maracanã, mas não aproveitou as chances.

Além da má vontade com parte da imprensa, um dos motivos para o técnico Jorge Sampaoli isolar os atletas de todos na periferia de Moscou é evitar perguntas sobre as três finais perdidas.

É um assunto tão sentido que, após a última delas, Messi chegou a anunciar que não jogaria mais pela seleção. "Acho que não é para mim", disse. Voltou atrás logo depois.

O próprio presidente da AFA (Associação de Futebol Argentino), Claudio Tapia, admite que esta pode ser a última chance de título mundial para o atacante cinco vezes eleito melhor do planeta. 

Questionado sobre o assunto, Lionel, 30, despistou sobre o que pretende fazer. Disse que dependerá do resultado na Rússia. Mas há a chance de ser também a derradeira oportunidade para outros que formaram a base da seleção que chegou perto, mas não foi campeã. Mascherano chega ao torneio com 34 anos.

"Eu já decidi que é minha última participação com a seleção", afirmou, enfático.

No Mundial do Qatar, Aguero, Di María e Higuaín terão 34. Biglia, 36. Na média de idade, a Argentina tem o elenco mais velho da Copa da Rússia: 29 anos, seis meses e 24 dias.

A falta de confirmação do futuro de Messi, o astro da companhia, faz com que a Argentina contemple o futuro sem um dos maiores jogadores da história do futebol.

A possibilidade disso acontecer levou a AFA a oferecer um plano de longo prazo a Sampaoli. "Mesmo que a equipe caia na fase de grupos, o que espero não acontecer, Jorge vai continuar. Ele faz parte do nosso projeto até a Copa de 2022", disse Tapia.

Uma semana antes da chegada da delegação, o cartola esteve em Bronnitsi. Percebeu que os jogadores estarão livres de influência externa. Mas não das redes sociais, claro. Esta é uma das preocupações. Porque as montagens, os vídeos e os memes direcionados a alguns nomes do elenco, especialmente Higuaín, incomodaram todos. 

Isso apesar de Rodrigo Palacio, que perdeu uma chance para dar o título mundial para a Argentina na prorrogação contra a Alemanha, não ter mais sido convocado. A frase "era por baixo, Palacio!", virou quase um bordão no país.

Ao receber a bola livre na área, o atacante tentou encobrir o goleiro Manuel Neuer. Se tivesse tocado rasteiro, teria feito o gol. Palacio não falou mais sobre o assunto.

O maior temor é que Messi fique com a pecha de perdedor com a camisa da seleção argentina. Algo que divide os torcedores do país que cansou de criticar o desempenho do jogador pela equipe, mas se apavorou com a possibilidade de ficar sem ele antes de renunciar à aposentadoria e voltar aos jogos das Eliminatórias sul-americanas.

"Isso é absurdo. Messi não precisa ganhar a Copa para ser um dos maiores da história", disse Cesar Luis Menotti, técnico campeão mundial de 1978. Opinião com a qual Sampaoli concorda 100%. Mas nem todos vão no mesmo caminho. "Para estar no nível de Pelé, Maradona e Cruyff, Messi tem de vencer um Mundial", contrariou Carlos Bilardo, o campeão de 1986.

Condenado pelos gols perdidos nas finais, o jogador de 30 anos esteve presente também na Copa da África do Sul, em 2010

Disputou as Copas 2010 e 2014. Aos 30 anos, é da mesma geração de Messi, com quem foi contemporâneo na base

A capacidade de jogar como zagueiro e lateral pode fazer o jogador de 28 anos ser titular pela segunda vez em uma Copa do Mundo

O atacante de 30 anos joga na Rússia sua quarta Copa. Sua única conquista pela seleção foi a medalha de ouro nos Jogos de Pequim

Vai para a segunda Copa do Mundo, aos 32 anos. Ganhou a posição de Gago durante o Mundial do Brasil

Aos 34 anos, vai disputar a competição pela quarta vez. Só não é capitão da equipe porque a braçadeira é de Messi

Fonte: FOLHA

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