13 de maio de 2018 às 02:00

Grupo de estudo em rede social pode levar a conteúdo incorreto

Jovens em fase pré-vestibular têm aderido ao Facebook e ao aplicativo de mensagens WhatsApp como formas de resolver suas dificuldades em disciplinas escolares.

Jovens em fase pré-vestibular têm aderido ao Facebook e ao aplicativo de mensagens WhatsApp como formas de resolver suas dificuldades em disciplinas escolares.

Grupos podem se transformar em uma armadilha, porque são espaços de fácil disseminação de conteúdo desatualizado ou incorreto. 

Letícia Fernandes, 17, é vestibulanda de biomedicina no cursinho Etapa e integra um grupo no Facebook composto por 48 mil membros chamado Liga dos Vestibulandos.

Copiando um dos materiais disponibilizados por um dos milhares de membros, flagrou nomenclaturas erradas e desatualizadas em um resumo. 

Em outra ocasião, leu um tópico em que alguém dizia que determinados conteúdos não eram cobrados em provas de vestibular, o que foi desmentido nas aulas do cursinho.

“O grupo é uma boa fonte de pesquisa e inspiração para eu formatar resumos e organizar mapas mentais, mas não copio mais nenhuma informação de lá”, diz Fernandes.

Embora os cursinhos não consigam impor um limite ao uso de redes sociais, ferramentas online são dispensáveis para quem já frequenta aulas, segundo Vinícius Haidar, coordenador do Poliedro Vestibulares, em São Paulo.

“Usar a internet pode implicar maior gasto de tempo, sobrecarga e ainda mais ansiedade nesse momento da vida, que já é delicado”, afirma Haidar.

Para o coordenador, quanto mais próximas as datas das provas, menor é o discernimento dos vestibulandos, que buscam mais informações online sem necessariamente ter certeza de sua origem.

“Mais informação não significa necessariamente mais qualidade. O estudo não pode ser um saco sem fundo”, afirma Haidar.

Isabella Mesquita, 19, vestibulanda de medicina do Poliedro, fala que o WhatsApp se revelou para ela uma boa ferramenta de estudo. 

Integrante de grupos de alunos que tentam uma vaga na mesma carreira, a estudante diz que consegue perceber por ali quais são os erros mais comuns nas tarefas. 

A partir daí, as mensagens instantâneas viram o equivalente a uma conversa em sala de aula, já que os estudantes as usam para compartilhar anotações e resoluções de exercícios.

“Às vezes, um outro aluno consegue explicar de uma forma diferente do professor e me ajuda a enxergar a lição sob outro ponto de vista, mais compreensível”, afirma Mesquita.

As conversas online são úteis para a estudante especialmente quando os plantões de dúvida do cursinho estão muito movimentados. No Facebook, Isabella participa apenas de um grupo, com entrada controlada e menor movimento, para não se perder em postagens.

Thomas Wisiak, coordenador de história do Grupo Etapa, lembra que as redes sociais podem ser úteis, mas jamais devem ser a fonte primária de informação. 

“Elas são um instrumento a mais, e não o primeiro caminho para solucionar uma dúvida. É necessário manter foco, organização e disciplina para não se perder no meio de tantas informações.” 

Nas palestras preparatórias que o cursinho promove para quem vai fazer provas, professores insistem que é fundamental buscar fontes confiáveis de informação.

“Assim como os textos que o aluno lê nas apostilas, é preciso encontrar os créditos daquele material e conhecer bem sua procedência: vale analisar quem é o autor do texto, quando foi a publicação, onde ela saiu”, afirma.

Empenhar-se em conhecer os materiais didáticos é importante, diz Wisiak.

Fonte: FOLHA

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