13 de junho de 2018 às 02:00

'Leopoldina' quer, sim, ser teatro didático para tempos difíceis

Na crítica ao espetáculo "Leopoldina, Independência e Morte", publicada na Ilustrada em 1º de junho, Bruno Machado ressalta a importância do resgate histórico efetuado na obra e ao mesmo tempo questiona, já no título da crítica, um excessivo didatismo.

Na crítica ao espetáculo "Leopoldina, Independência e Morte", publicada na Ilustrada em 1º de junho, Bruno Machado ressalta a importância do resgate histórico efetuado na obra e ao mesmo tempo questiona, já no título da crítica, um excessivo didatismo.

Agradecemos a avaliação positiva de Bruno a uma obra que nos é tão cara.

A intenção desta réplica é a de criar uma interlocução, trazendo a público a reflexão que surgiu entre nós sobre a dimensão didática num trabalho dessa natureza, que poderíamos chamar de drama histórico.

Pois, ainda que se pense num desgaste da ideia de um teatro de viés didático, como se ela por si excluísse outras camadas de fruição da obra, é nossa intenção desde o princípio revelar fatos da biografia da imperatriz Leopoldina desconhecidos pela ampla maioria dos brasileiros.

Durante todo o processo, desde a pesquisa até os encontros com o público, estamos muito atentos a uma opção de colocar os fatos históricos a serviço dos dramas humanos enfrentados pelos personagens.

Não apenas porque a peça obviamente ficaria mais viva e interessante, dado que não meramente informativa, mas também porque, trazendo como pano de fundo o contexto histórico que abrange o período da Independência do Brasil, damos aos espectadores a possibilidade de estabelecer conexões com modos de operar vigentes na sociedade brasileira desde o seu início até os dias de hoje â?”sem a necessidade de explicitá-las, aí, sim, didaticamente, para usar o termo em questão em sua acepção pejorativa.

É uma tarefa de grande complexidade, como se pode imaginar, ainda mais em tempos difíceis como o presente, nos quais se acirra a disputa por narrativas que interpretem a realidade. Mas o belo é difícil, já dizia Sócrates.

Nas questões da Leopoldina enquanto mulher circunscrita, sim, ao seu tempo histórico, mas que ao mesmo tempo o transcende, reside a potência dessa obra, reafirmada ao fim de cada sessão.

E é neste ponto que precisamos contextualizar a fala do crítico. Porque, ao apontar o que entendeu como um excessivo didatismo, Bruno Machado sugere que a recepção da obra seja fria ou racional.

Essa percepção não exclui outras que temos percebido ao longo da temporada.

Ao mesmo tempo que compartilhamos com o público a possibilidade de conhecer um pouco melhor a nossa própria história, o espetáculo oferece um mergulho no destino trágico de uma mulher que deu sua vida por um sonho de Brasil, interpretada com uma carga emocional que só uma atriz do quilate de Sara Antunes sabe manejar.

"Leopoldina, Independência e Morte" é uma obra que se propõe o risco de atravessar essa corda bamba entre duas atitudes que, a olhos menos inconformados, poderiam parecer impossíveis de conciliar: pensar e sentir.

Marcos Damigo
Autor e diretor do espetáculo ?Leopoldina, Independência e Morte?
 

Dividido em três momentos, o espetáculo retrata a trajetória da imperatriz Leopoldina, desde sua chegada ao Brasil até seus dias finais, em que, em meio a delírios, mistura passado e futuro e aproxima a problemática do império de problemas atuais.

Fonte: FOLHA

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