28 de janeiro de 2018 às 02:00

Pós em gestão se concentram em corte de custos e combate ao desperdício

Para que a indústria volte a crescer no Brasil, antes de implementar tecnologias sofisticadas e custosas, é preciso investir no básico: automação, diminuição de desperdícios e metas bem definidas de planejamento e execução.

Para que a indústria volte a crescer no Brasil, antes de implementar tecnologias sofisticadas e custosas, é preciso investir no básico: automação, diminuição de desperdícios e metas bem definidas de planejamento e execução.

A avaliação é do gerente de tecnologia e inovação da CNI (Confederação Nacional da Indústria) Marcelo Prim. "Ainda estamos no começo dessa curva de melhoria."

Sem isso, argumenta Prim, nem os investimentos em pesquisa e desenvolvimento já existentes serão bem aproveitados pela indústria.

As instituições de ensino superior perceberam essa demanda e oferecem cursos de pós-graduação tanto para futuros gestores quanto para profissionais já com experiência na administração do chão de fábrica.

A ideia é reforçar os conhecimentos adquiridos na graduação com disciplinas como gestão de qualidade, sistemas de produção enxuta e técnicas de melhoria.

Fábio Azevedo, 33, é tecnólogo na área de produção industrial e aprendeu na pós-graduação a identificar quais práticas devem ser revistas na planta onde trabalha, que fabrica vedações industriais.

"Tinha conceitos muito fixos, sobretudo na hora de avaliar custos. Aprendi a ver a coisa de forma mais ampla e consigo estipular melhor metas de prevenção de riscos e perdas, por exemplo", diz.

O profissional é aluno do curso de especialização em administração industrial da Fundação Vanzolini.

Enxugar a estrutura de custos com eficiência é um dos desafios de cursos do tipo, segundo Ari Ricardo de Almeida, coordenador da pós em administração da produção e operações da Universidade Metodista de São Paulo.

"No Brasil, temos custos elevados de operação, da área tributária ao transporte e distribuição", diz. "Por isso, ensinamos a ganhar competitividade para compensar parte desses valores."

Para identificar problemas e oportunidades, a dica é saber mobilizar rápido o chão de fábrica usando bem competências como liderança e assertividade, segundo Prim.

Além disso, o gestor de fábrica precisará se relacionar com técnicos de diferentes formações, o que testará sua capacidade de liderança.

Falar outros idiomas também ajuda, já que o ambiente é cada vez mais globalizado e pode envolver a compra e venda de produtos para mercados externos.

"Vale, ao terminar a graduação, aprender uma língua e se estabilizar numa área antes de se matricular. É preciso ter atuação prévia para acompanhar bem o curso", explica Maria Sartori, gerente de recrutamento da consultoria Robert Half.

Isso porque, para gerir uma fábrica, é preciso já ter experiência consolidada em um ramo de atuação.

A engenheira química Camila Fernandes, 29, usou a pós em automação industrial da FEI, concluída no final de 2017, para encontrar uma posição fora de sua área.

Hoje, ela é consultora no setor de alimentos e bebidas e propõe soluções para automatizar as plantas, diminuindo as perdas e o tempo de trabalho das equipes.

"Já tinha experiência e queria uma formação mais flexível. Aprendi muita coisa voltada a problemas práticos, o que ajudou a conseguir meu emprego."

Fonte: FOLHA

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